No Brasil, 132 mil infartos são causados pelo estresse do dia a dia Se fosse possível controlar o estresse do dia-a-dia, 132 mil infartos poderiam ser evitados por ano no Brasil. Segundo a matéria, veiculada no Globo Repórter, no dia 28/08, o estresse e a depressão estiveram associados com infarto agudo do miocárdio, acima de fatores chamados convencionais, como diabetes e pressão alta. Adriana Loducca, psicóloga do HC/USP, diz que a motivação tem que sair de dentro, daquilo que sentimos que podemos mudar. “Tentar lembrar das pequenas coisas que te fazem bem e guardar elas dentro e dar uma importância e uma intensidade maior para elas. Nossa tendência é dar uma intensidade enorme para o problema e olhar muito pouco para o que a gente tem de prazer ou de bom na nossa vida”, afirma.
O aposentado Bruno Barabani, de 78 anos, conta que só aprendeu a viver mais tranqüilo aos 75 anos. “Eu aprendi a viver de uns três anos para cá. Eu ouvia dizer ‘a felicidade está nas pequenas coisas’. Entrava por um ouvido e saía pelo outro. Precisou passar por um monte de coisas para eu saber o valor destas palavras.”
Ele conta que quando adolescente era alto e magro. Era motivo de piada no bairro. Para vencer o complexo treinou muito e virou um campeão, levantador de peso, com cinco olimpíadas nesse percurso. Hoje, está treinando arco e flexa. E para adquirir mais concentração decidiu participar de uma pesquisa na Universidade Federal de São Paulo. Os pesquisadores utilizam a terapia japonesa Reiki para o controle de estresse de idosos. “A grande questão é que o estresse negativo, aquele estresse que prejudica as funções do corpo e da mente, muitas vezes pode ser um mal silencioso, pode não ser percebido pela pessoa portadora do estresse. Mas Bruno procurou tratamento, fez uma avaliação e passou por um clínico, um psiquiatra. Depois ele passou a primeira vez pela máquina. E nós detectamos que, apesar dele não perceber, tinha um nível de estresse que poderia estar prejudicando algumas funções da vida dele”, diz Ricardo Monezi, pesquisador da UNIFESP. Um equipamento é utilizado para medir o estresse. A temperatura, e as atividades elétrica e muscular do corpo são monitoradas. “Uma das hipóteses que nós trabalhamos é a presença da pessoa do terapeuta e principalmente a eficácia do toque. Como um fator de humanidade, um fator que traz conforto, alguma coisa que traga bem-estar”, avalia Ricardo. O cardiologista Álvaro Avezum ainda coloca que o modo como enfrentamos os problemas é um fator decisivo para o desenvolvimento ou não de doenças. Segundo ele, sentimentos como raiva, revolta, rebeldia, remorso ou até mesmo solidão são nocivos para o nosso equilíbrio. E a forma como cada pessoa vivencia a situação estressora é o determinante do impacto negativo do estresse.
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